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FESTIVAL CARIJO DA CANÇÃO GAÚCHA

     APRESENTAÇÃO:

     Nos primeiros dias de maio, já se pode observar o despontar das primeiras barracas no Parque de Exposições Tealmo José Schardong, em Palmeira das Missões.  Em pouco tempo, a Cidade de Lona vai se erguendo, os transeuntes aumentando, os palcos vão sendo montados, os vendedores ambulantes começam a surgir com seus artefatos luminosos, os sons de risadas, conversas e uma festividade musical vão se fundindo e ecoando pela Vilinha, anunciando a chegada do evento mais esperado do ano: o Carijo da Canção Gaúcha. 

Considerado Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul, por força da Lei Estadual nº 12.282/05, o Carijo da Canção Gaúcha é um festival de música nativista, realizado anualmente no município de Palmeira das Missões, sempre no último final de semana de maio, conforme a tradição. Diante de sua magnitude, o Cone Sul garantiu ao Carijo da Canção Gaúcha o reconhecimento de festival referência no gênero tradicionalista gaúcho, e por esse motivo, integra a agenda oficial de eventos culturais e turísticos do Estado do Rio Grande do Sul. 

O Carijo da Canção Gaúcha é organizado pela Prefeitura Municipal de Palmeira das Missões, sob coordenação da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e ainda conta com o auxílio de uma Comissão Organizadora e da Secretaria Municipal de Educação para realização do Carijinho. Além disso, o Festival conta com o apoio indispensável de aporte financeiro, em especial, de empresas locais, regionais e estaduais. 

Ao longo de mais de três décadas de história, o Festival vem possibilitando à comunidade regional a apreciação da arte, da gastronomia e da história de nosso estado, além de promover o turismo, entretenimento e fazer a economia local girar. Com 34 edições ininterruptas de festival, os anos de 2020 e 2021 tiveram a safra dos ervais interrompida, em virtude da pandemia global da Covid-19.

 

       OBJETIVOS DO FESTIVAL:

  • Valorizar a cultura gaúcha, de modo a enaltecer os ritmos tradicionais rio-grandenses e potencialidades turísticas da região;
  • Incentivar a criatividade artística de compositores, intérpretes e instrumentistas no que tange à temática tradicionalista do Rio Grande do Sul;
  • Revelar novos talentos e facilitar a difusão de suas realizações artísticas;
  • Premiar e difundir as composições destacadas no evento; 
  • Promover a integração do setor cultural gaúcho por meio da interação de poetas, músicos, instrumentistas, produtores e simpatizantes dedicados ao culto da autêntica música gaúcha;
  • Fomentar e potencializar o turismo regional e do interior do Estado por meio do Festival;

 

      JUSTIFICATIVA

O Carijo da Canção Gaúcha é um marco na história dos grandes festivais nativistas do Rio Grande do Sul. Tal consagração se deu ao longo de mais de três gloriosas décadas de promoção e preservação da herança cultural de nosso Estado. Patrimônio Cultural do Estado conforme a Lei Estadual nº 12.282/05. Dessa forma, o festival é parte indispensável da agenda cultural e turística oficial do RS, além de ser reconhecido como um referência do gênero nativista em todo sul do país. 

A estrutura que o Carijo da Canção Gaúcha proporciona aos que participam da festividade, é de uma riqueza inigualável, pois traz consigo diversas manifestações artísticas, ritmos, causos e interações sociais e históricas. Por meio de sua linha musical, artistas de todo Rio Grande contam, por meio da arte e da música, histórias cotidianos da lida e da luta do povo gaúcho nas perspectivas do amor, do civismo, da moral, da religiosidade, da história, das atividades agropastoris, das etnias e da preservação ambiental, entre outros temas pertinentes ao convívio social no Estado.

Além disso, o Carijo da Canção Gaúcha tem grande contributo social para a comunidade regional. Através dele é possível promover o desenvolvimento econômico da região com geração de empregos e renda, fortalecimento do comércio e das agroindústrias, incentivo ao turismo local, regional e rural, viabilização de ações sociais e comunitárias por meio do cooperativismo, mobilização da população palmeirense e fomento à cultura riograndense.

 

         ORIGEM DO NOME DO FESTIVAL

        O título nos parece além de expressivo, muito feliz para Palmeira das Missões que é filha da erva-mate. Ela começou no início do século XIX como" Vilinha do Erval'', um rancheiro de capim localizado na mesma coxilha onde se realizava este festival em que as caravanas de carretas, vindas de Cruz Alta se abasteciam do "ouro verde das matas", a primeira das riquezas que os jesuítas nos legaram.Tal era a quantidade e principalmente a qualidade da ilex paraguaniensis aqui existentes, que o primtivo acampamento cresceu tanto como reza um relato da época que em breve passou a sede de um distrito com cerca de quinze mil quilometros quadrados entre Santa Bárbara do Sul e Irai por um lado e Passo Fundo  e Santo Angelo por outro.

        Todas as operações do preparo da erva-mate podem ser individuais: o corte, o sapeco, o cancheio, o soque e o condicionamento. A secagem do Carijo,entretanto,deve ser coletiva. A vigilância contra possíveis incêndios provocados por fagulhas do braseiro intenso, exige muitos olhos e a constante destreza no controle das chamas com o auxílio de guampas d'agua durante as três noites de ronda do Carijo. A elas concorrem os operários, visitantes e até moças, fato que justifica o sentido de namoro, da expressão Carijo aceso em Palmeira das Missões.

      Verdadeiro salão social dos ervateiros, o Carijo, desde suas origens foi um ritual festivo e competitivo em que as noites de ronda se encurtavam com anedotas, chistes, causos, assombrações, os desafios rimados e os descantes ao som do violão ou da acordeona, animados a trago de canha.Tudo isso agora revive simbolicamente no Carijo da Canção Gaúcha com o concerto de artistasde todo o Brasil.

        O Carijo nasceu vitorioso graças ao decidido apoio da Prefeitura de Palmeira das Missões através da antiga Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo e da comunidade palmeirense que através de duzentas e cinquenta  e uma inscrições em sua primeira edição,atestam bem o que dissemos.

                                                                                                                                        Palmeira das Missões, Maio,1986, Mozart Pereira Soares

 

       A LENDA DA ERVA-MATE

A narração da lenda da erva-mate contém a certa altura o seguinte trecho:

        “O emissário de Tupã sorriu. Em suas mãos brilhava, recoberta de uma luz estranha, uma planta repleta de folhagens verdes. – Deixa crescer esta planta, bebe de tuas folhas e terás o companheiro que pedes. Esta erva traz em si a graça de Tupã e se estenderá pelas matas, trazendo o conforto não só a ti, mas a todos os homens de tua tribo. Estas palavras, ditas à índia Caá-Yari a transformaram na deusa dos ervais e dos ervateiros, espalhando a crença de que Caá-Yari, que é invisível para todos, pousa sempre nos feixes de erva aumentando o peso da colheita.”

        O conhecimento desta lenda revela a influência e a força que exerceu a erva-mate sobre a economia do município da grande Palmeira das Missões, como produto nativo interligado às próprias tradições históricas. Tão intensamente se fixou esta imagem que o município já tinha apreciável produção pecuária e agrícola, mas continuava sendo conhecida como a Capital da Erva-Mate. Com o desmembramento de mais de 50 municípios, a quantidade de nossa produção foi reduzida, mas a qualidade de nossa erva-mate continua nos brindando com uma honrosa dádiva, a de sermos reconhecidos como a terra da melhor erva-mate do Brasil.