Terra, Fogo, Água e Ar

 

Letra:

Quando Tupã trouxe a erva,

Caá-Yari teve a benção,

Entregou à sacra terra,

Nosso amor e devoção,

Nessa hora riu Monã -

Céu e solo em união -,

Transcendente chimarrão,

Que Sumá deixou colher,

E faz esquecer o mundo,

Profundo Yvy Marã E'y.

 

Na coragem desmedida,

As chamas de Angrá vivas,

Não em metal ou ferida,

Mas na bomba de Caá,

Que insiste em partilhar

O que foi preso em carvão,

Nesses causos de galpão,

Numa cambona de prata,

Tal qual alma sapecada

No rubor de M'Boitatá.

 

Terra, fogo, água e ar

Coexistem no chimarrão,

Para em nós ressuscitar

O primeiro da nação,

Não se pode apagar

As raízes guaranis,

Que existem em toda planta,

Todo bicho e todo povo

Que habita e habitou aqui.

 

A nascente cristalina,

Na qual vive Mboi Tu'i,

Desemboca em uma cuia,

Pois Y-îara a ilumina,

Se em falta ou excesso,

Culpado não é Tupã,

E sim a ganância vã,

Que em vilanesca sina,

Nos imprime o reflexo

Dessa exploração terçã.

 

Pelos sopros de Polo,

O ar de nossos destinos,

Mensageiro sobre-humano,

No amargo que é consolo,

Sussurra sabedorias,

Herdadas de ancestrais,

Para que então não mais,

Em Jaci ou Guaraci,

Inexista o Rudá,

Força que nos salvará!

Por favor, aguarde enquanto o processo é concluído...