Empoeirado

 

 Letra: 

Abro a porteira que fechada se mantinha

Há tantas eras "quase despencou, por certo! "

Sigo ao encontro à calmaria que se mostra

Pelo potreiro que, distante, se faz perto!

 

 

Sorvo o silêncio da quietude que há nas casas...

Meus olhos, gastos pelos anos, vendo agora

Tudo o que eu tinha reservado ao meu alcance,

Mas que perdeu-se quando, um dia, fui embora...!

 

 

Cruzo no pátio que habitei quando piazito...

Abandonado, sem carinho se conserva

Talvez no pranto que, sem ver, me cai do rosto?

Ou na saudade que o futuro me reserva!

 

 

O galpão velho "de encilhar meu tempo moço "

Contém as dores e verdades que bem sei?

Então, reparo que os arreios empoeirados

São, na verdade, aquilo que hoje me tornei!

 

 

Pela mangueira rondam cismas e silêncios,

E que passaram a formar meu existir...

Pois fui sogueiro de inquietudes resumidas

Sem compreender que tinha um mundo a descobrir!...

 

 

Ao regressar, revisitei quem fui um dia:

Um jovem livre, pleno em vida e sonhador?

Que se largou deixando a estância que continha

A ser tapera  "como o seu interior "!

Por favor, aguarde enquanto o processo é concluído...