Mulher de Campo e Raiz

Letra:
Sou mulher de tempo curto,
Mas de afeto sem medida;
Carrego o mundo no colo,
Como quem, sustento a vida.
Entre a lida e a estiagem,
Aprendi a florescer;
Seiva que encontra a vertente,
Mesmo longe de se ver.
Nascente que não se esgota
Quando a terra racha ao meio;
Braseiro oculto na cinza,
Guardado firme no esteio.
Se a noite pesa comprida
Sobre o rancho em desalento,
Sou estrela que se firma,
Clareando o pensamento.
Refrão:
Não me abrigo em sombra alheia,
Nem me perco na paisagem;
Mulher de campo e raiz,
Fundamento e coragem.
Se o vento sopra de frente,
Minha fibra não se desfaz;
Quem nasce filha da terra
Não se dobra nunca mais.
Mate amargo repartido
Na vigília do galpão;
Água clara que se oferta Sem pedir retribuição.
Poncho aberto sobre os ombros
Quando a geada vai descer;
Casa erguida em mãos firmes,
Sem precisar se engrandecer.
Rompi cercas da memória
Que o destino quis traçar;
Quem carrega o céu nos olhos
Não nasceu pra se curvar.
Se duvidam da minha força
Quando ergo minhas mãos,
É a vida que responde
No pulsar do coração.
Não me abrigo em sombra alheia,
Nem me perco na paisagem;
Mulher de campo e raiz,
Fundamento e coragem.
Se o vento sopra de frente,
Minha fibra não se desfaz;
Quem nasce filha da terra
Não se dobra nunca mais