Um Lamento ao Índio Perto do Fim

Letra:

Recitado:

?Imponentes ruínas, solo sagrado do Rio Grande

Ganância e sangue mancham a história das reduções

Os pés descalços colhem a fome na terra rubra

E buscam a cura, nos Sete Povos das Missões?

 

 

O próprio tempo que a tudo vence e sempre medra

Em taipa e pedra marcou a essência dos guaranis

Se a Catedral ainda resiste, mantendo o entono

Todo o abandono e a dor de um povo falam por si

 

 

Com quatro braços, a velha Cruz colhendo a fé

Mantem-se em pé, misto de força e mil poesias

Lamenta o índio, dono da terra, que herdou pobreza

E a incerteza que há na margem das rodovias

 

 

A pedra antiga que é o alicerce de um mundo novo

Relembra um povo, suor e sangue, vida e memória

Quem sabe um dia, bem a cavalo e de peito nu

O Tiarajú retorne aos campos e refaça a história!

 

 

Se os velhos sinos, hoje calados, gritam silêncios

É porque o bom senso emudeceu frente a verdade

A opressão que sangrou vidas, feito um templário

Fez campanários sonarem a perda da identidade

 

 

Esse pó vermelho brota do ventre da minha terra

Há paz e guerra lutando sempre dentro de mim

Carrego a culpa por tantas vidas que se perderam

E o sonho inteiro do índio que vive perto do fim!

 

Por favor, aguarde enquanto o processo é concluído...